Passaram-se cinco horas e ela não resistiu e olhou. Queria ver se aquele sentimento crescia do lado de lá com a mesma intensidade que do lado de cá... mas não obteve qualquer resposta! Ela já sabia que o que cada coração guarda nem mesmo o dono tem acesso... mesmo assim valia a pena arriscar uma dica aqui e outra acolá... Não era para ter o prazer mórbido de saber por saber e nada fazer. Era apenas para continuar a fantasiar sobre o "se"... De toda sorte, ela concluiu que se era apenas fantasia então pouco importaria o que de fato estava acontecendo do lado de lá... e ela se conformou pensando que a reciprocidade não tem sido mesmo a vertente mais presente em suas relações.
Ela queria atenção, troca, mergulhar fundo, entrega... mas tudo isso sem invadir o espaço dele, dos filhos, da leitura, da ternura...
Seriam perguntas e respostas, elogios e massagem nos egos, um romance intelectual quase virtual... ele queria algo concreto... um porto, uma fotografia, uma prova de um amor tão evidente que iluminava os olhos, transformava a madrugada em dia produtivo para escrever um tratado.
A tal dualidade humana me confunde... Afinal, o que eles queriam?! Um filme sem final?!?
Eu ficaria para assistir o filme inteiro... Seria como a história de passar em uma estação do ano em uma determinada cidade - às vezes vamos embora com a sensação de que a cidade era fria demais, e nem nos damos conta de que era inverno naquele momento...
Essa história das estações está perambulando pela internet e me fez pensar nisso. Fiz diversos paralelos na minha cabeça. E o melhor deles foi comparar a um relacionamento amoroso, pois, de fato, desde os idos de minha bisavó ouço essa história de que pra conhecer alguém é preciso "comer uma saca de sal" com esse alguém...
Quanto tem de sal numa "saca"?! 25Kg?
Bem, acho que a lição é a de que requer tempo de convivência para se conhecer alguém.
E passar somente uma primavera como dois adolescentes apaixonados, não seria o suficiente para sabermos se são pessoas compatíveis em seus valores, ideais e direção que pretendem seguir. Por exemplo, se sou diurna, a convivência com um notívago vai ser mais incômoda do que se ambos forem diurnos ou notívagos...
Sei que essa razão toda não funciona com o coração! Mas guia nossas escolhas e suaviza a inevitável queda do fim...