Eu quero o impossível... eu quero o querer do outro...
Eu quero o teu querer!
Eu quero você!
Quero você com a sua fragilidade exposta, com sua masculinidade baseada em valores humanos que reconheço nos seus atos, com a sua vontade de ser melhor, com a sua inteligência e perspicácia adquiridas nas experiências vividas e testemunhadas...
Quero que minha paixão pela vida te inspire a ponto de te apaixonares por mim na mesma intensidade em que sou apaixonada por ti...
Quero que minha garra e determinação borrados pelo medo e insegurança naturais da vida sejam o suficiente para você me admirar no dia-a-dia...
Quero que minha independência não te faça pensar que quero viver sem você e sim que te faça orgulhoso por saber que uma mulher livre está ao teu lado por se sentir bem com um homem que a inspira...
Quero que meus medos sejam vistos como cautela e sabedoria por você...
Quero a segurança de um amor construído a partir de verdades sinceras... diante das adversidades sociais e culturais... fortalecido pelas dificuldades experimentadas na imigração...
Sei que não posso querer por você... sei que meu querer me puxa para direções antagônicas da dicotomia humana instaurada entre o ser-estar e o dever ser ou o querer ser...
O que sinto me assusta porque me tira do controle de mim, mas ao mesmo tempo me encanta por me mostrar tão capaz de amar... o que sinto ultrapassa a minha razão, faz com que eu queira o teu querer mesmo que isso apague uma parte de mim e passa longe de uma relação saudável... também falta a reciprocidade do querer...
Não estou conseguindo conjugar o verbo amar na primeira pessoa... reconheço que senti amor, senti liberdade, senti paixão, senti medo, senti prisão... e antes que a intensidade se transforme numa tragédia emocional ou psicológica, passo a bola para o destino...
Aproveito que perdi o controle imaginário de mim mesma e bato palmas para o destino - aquele vilão de uns filmes e solução de umas vidas...
Que o Universo, e todo o sagrado de todas as religiões e crenças abençoem o seu caminho e que ele seja livre, amoroso e em paz...
Talvez seja um ponto final... talvez seja uma pausa como as reticências desse texto.
Contudo sabemos que as reticências são falsas esperanças diante de estruturas tão rígidas quanto as nossas que foram construídas com tantos remendos e cicatrizes das nossas experiências, dos sonhos que nos moveram até aqui...
Adeus, mon amour.
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